Acompanhando bom humor internacional, dólar opera em queda ante real

Em dia de maior apetite por risco no exterior, o dólar começa o dia devolvendo parte dos ganhos do dia anterior em relação ao real.

Às 9h14, a moeda americana recuava 0,63% em relação ao dinheiro brasileiro, a R$ 5,7186. Apesar da trégua, Investidores acompanham de perto os desdobramentos da crise política nacional.

A decisão do juiz Celso de Mello, do STF, de divulgar ou não o vídeo da reunião ministerial em que Bolsonaro teria tentado interferir na PF, pode mudar rapidamente o ambiente de negócios.

O Banco Central ofertará nesta quarta-feira até 12 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em setembro de 2020 e fevereiro de 2021 para fins de rolagem.

Histórico

Na sessão de terça-feira (19), o dólar fechou em alta contra o real, perto das máximas do dia e na contramão dos mercados globais de câmbio. Os investidores recompuseram suas posições um dia após a cotação sofrer a maior queda do mês, caindo 2%.

O dólar terminou o dia em alta de 0,67%, a R$ 5,7609 na venda. Ao longo da sessão, a cotação oscilou entre queda de 0,69% (para R$ 5,683) e valorização de 0,75% (a R$ 5,7653).

Expectativas cada vez piores para a economia, a perspectiva de juros nas mínimas históricas e a falta de visibilidade para a volta dos debates sobre reformas econômicas mantêm o real pressionado.

O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, afirmou nesta terça-feira que a contração do Produto Interno Bruto (PIB) este ano pode ser maior que 5%.

O Goldman Sachs também revisou para queda de 7,4% a sua estimativa para o desempenho da economia brasileira neste ano (frente a -4,6% antes) e citou que o aumento de preocupações de ordem política e fiscal deve agravar a recessão.

“Além disso, o governo federal e as autoridades locais continuam discordando quanto ao escopo e à intensidade das medidas para lidar com a crise da saúde pública. Nesta fase, não está claro quando a curva viral atingirá o pico”, disse o banco, acrescentando que o Brasil é um dos epicentros globais da Covid-19.

No fim da tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que, sem dúvida, o Brasil está tendo problemas com o coronavírus e que está considerando impor restrição de viagens a passageiros do país.

O menor apelo do real foi evidenciado em pesquisa do Bank of America com gestores. A fatia dos que acreditam que a moeda brasileira terá desempenho melhor nos próximos seis meses caiu para 19% na sondagem deste mês, ante 46% na do mês passado. Uma parcela de 60% vê a economia retraindo mais de 5% neste ano.

 

Fonte.

Foto: Guadalupe Pardo/Reuters

Adicionar comentário