Com coronavírus, mercado passa a ver queda de 1,18% no PIB de 2020

Última projeção previa uma retração de 0,48% na economia brasileira devido à pandemia do coronavírus

Os efeitos da pandemia do novo coronavírus sobre a economia brasileira fizeram os economistas do mercado financeiro cortarem novamente suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. Conforme o Relatório de Mercado Focus divulgado nesta segunda-feira, a expectativa para a economia este ano passou de retração de 0,48% para queda de 1,18%. Há quatro semanas, a estimativa ainda era de crescimento de 1,99% neste ano.

Para 2021, o mercado financeiro manteve a previsão do Produto Interno Bruto (PIB), de alta de 2,50%. Quatro semanas atrás, estava no mesmo patamar.

No fim de março, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.

No Focus agora divulgado, a projeção para a produção industrial de 2020 foi de alta de 0,85% para avanço de 0,50%. Há um mês, estava positiva em 2,00%. No caso de 2021, a estimativa de crescimento da produção industrial passou de 2,50% para 2,70%, ante 2,50% quatro semanas antes.

A pesquisa Focus mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2020 foi de 56,63% para 58,10%. Há um mês, estava em 56 60%. Para 2021, a expectativa foi de 57,87% para 60,00%, ante 57 45% de um mês atrás.

Dólar

O relatório também mostrou manutenção no cenário para a moeda norte-americana em 2020. A mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano seguiu em R$ 4,50, ante R$ 4,20 de um mês atrás.

Para 2021, a projeção para o câmbio foi de R$ 4,30 para R$ 4,40, ante R$ 4,20 de quatro pesquisas atrás.

Inflação

Quando ao IPCA, o relatório mostra que a mediana para o IPCA neste ano foi de alta de 2,94% para 2,72%. Há um mês, estava em 3,20%. A projeção para o índice em 2021 foi de 3,57% para 3,50%. Quatro semanas atrás, estava em 3,75%.

O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2022, que seguiu em 3,50%. No caso de 2023, a expectativa permaneceu em 3,50%. Há quatro semanas, essas projeções também eram de 3 50% para ambos os casos.

A projeção dos economistas para a inflação já está bem abaixo do centro da meta de 2020, de 4,00%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,50% a 5,50%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). Já a meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%).

A expectativa de inflação no curto prazo tem sido bastante afetada pela perspectiva de que, com a pandemia do novo coronavírus, a atividade econômica seja fortemente prejudicada, com impactos negativos sobre a demanda por produtos e baixa da inflação.

Selic

Os economistas do mercado financeiro alteraram também suas projeções para a Selic (a taxa básica da economia) no fim de 2020. A mediana das previsões para a Selic neste ano passou de 3,50% para 3,25% ao ano. Há um mês, estava em 4,25%.

Já a projeção para a Selic no fim de 2021 foi de 5,00% para 4,75% ao ano, ante 5,50% de quatro semanas atrás. No caso de 2022, a projeção seguiu em 6,00%, ante 6,50% de mês antes. Para 2022, passou de 6,25% para 6,00%, ante 6,50% de quatro semanas atrás.

Há três semanas, ao cortar a Selic de 4,25% para 3,75% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou que, neste momento, vê como adequada a manutenção da taxa de juros em seu novo patamar. “No entanto, o Comitê reconhece que se elevou a variância do seu balanço de riscos e novas informações sobre a conjuntura econômica serão essenciais para definir seus próximos passos”, ponderou o colegiado

Superávit

Com o governo autorizado a expandir os gastos em 2020 para combater a pandemia do novo coronavírus, o Relatório de Mercado Focus trouxe hoje alteração na projeção para o resultado primário do governo em 2020. A relação entre o déficit primário e o PIB este ano foi de 1,30% para 1,65%. No caso de 2021, foi de 0,60% para 0,80%. Há um mês, os porcentuais estavam em 1,10% e 0,51%, respectivamente.

Já a relação entre déficit nominal e PIB em 2020 foi de 6,00% para 6,90%, conforme as projeções dos economistas do mercado financeiro. Para 2021, passou de 4,86% para 5,00%. Há quatro semanas, estas relações estavam em 5,50% e 4,83%, nesta ordem.

O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública. Já o resultado nominal reflete o saldo já após as despesas com juros.

Balança comercial

Os economistas do mercado financeiro alteraram a projeção para a balança comercial em 2020 na pesquisa Focus, de superávit comercial de US$ 35,00 bilhões para US$ 34,10 bilhões. Um mês atrás, a previsão era de US$ 36,40 bilhões. Para 2021, a estimativa de superávit foi de US$ 35,30 bilhões para US$ 35,00 bilhões. Há um mês, estava em US$ 34,00 bilhões.

Na estimativa mais recente do BC, o saldo positivo de 2020 ficará em US$ 33,5 bilhões. Esta projeção foi atualizada no RTI divulgado no fim de março.

No caso da conta corrente, a previsão contida no Focus para 2020 foi de déficit de US$ 55,80 bilhões para US$ 52,34 bilhões, ante US$ 58,65 bilhões de um mês antes. Para 2021, a projeção de rombo permaneceu em US$ 58,50 bilhões. Um mês atrás, o rombo projetado era de US$ 60,15 bilhões.

O Banco Central projeta déficit em conta de US$ 41,0 bilhões em 2020.

Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será suficiente para cobrir o resultado deficitário nestes anos. A mediana das previsões para o IDP em 2020 passou de US$ 80,00 bilhões para US$ 76,50 bilhões. Há um mês, estava em US$ 80 bilhões. Para 2021, a expectativa foi de US$ 81,40 bilhões para US$ 80,00 bilhões, ante US$ 84,50 bilhões de um mês antes. O BC projeta IDP de US$ 60,0 bilhões em 2020.

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Imagem: Dinheiro: para 2021, o mercado financeiro manteve a previsão do Produto Interno Bruto (PIB), de alta de 2,50% (Erlon Silva – TRI Digital/Getty Images)

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