Conheça monumentos religiosos homenageados em cédulas de seus países de origem

Igrejas, templos e sinagogas são construções típicas das religiões católica, budista e judaica.

​As religiões sempre desempenharam um importante papel na história das civilizações. Muitos dos monumentos mais grandiosos, que chegaram a se tornar ícones arquitetônicos de seus respectivos países, tiveram ou ainda têm funções religiosas. Conheça nesta edição da coluna Dinheiro do Mundo alguns desses monumentos, que foram retratados em cédulas de diversos países.

Templo Swayambhunath (Katmandu, Nepal) – Complexo religioso (Templo dos Macacos)

Templo Swayambhunath, o complexo religioso mais antigo do Nepal, situa-se na capital do país, Katmandu. Também conhecido como Templo do Macaco, pela existência de diversos macacos ao noroeste do complexo, ele ocupa um lugar essencial nos mitos das origens e práticas religiosas (principalmente relacionadas às religiões budista e hindu). O principal deles envolve o vale onde se encontra o complexo religioso. Acredita-se que o vale tenha sido, um dia, um enorme lago, no qual havia um lótus que se transformou em uma colina quando o lago desapareceu.

A arquitetura da estupa principal (monumento budista composto por uma base quadrada sobre a qual assenta uma abóboda em formato de monte, que termina em uma ponta cônica) ostenta vários simbolismos. Na base, há um domo representando o mundo. Sobre ele, uma estrutura cúbica pintada como os “olhos de Buda” olhando para as quatro direções. Há torans pentagonais (portão típico do budismo indiano ou da arquitetura Hindu) acima de cada um dos quatro lados, com estátuas esculpidas. Acima dos torans há 13 níveis ou terraços representando os treze estágios de realizações espirituais para se atingir a iluminação – estado de buda. E acima de todos eles há um pequeno espaço onde se situa o gajur (pináculo).

A cédula de 1000 Rúpias nepalesas, de 1974, traz em seu anverso a efígie de Birendra Bir Bikram Shah Dev, rei nepalês que governou o país de 1972 a 2001. Ao centro, o Templo Swayambhunath. No reverso da cédula, é possível ver as armas nacionais, no canto superior direito, e, ao centro, um elefante, animal importante tanto para cultura da região quanto para a religião.

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O Nepal (República Democrática Federal do Nepal) é um país asiático da região dos Himalaias, limitado pelo Tibete e pela Índia, e não possui costa marítima. Lá se situa o Monte Everest, o ponto mais alto da terra. As principais cidades, além da capital Katmandu, são a cidade-lago de Pokhara e Lumbini, onde nasceu Sidarta Gautama, o Buda.

Santo Antônio e Igreja de Santo Antônio (Lisboa, Portugal)

Santo Antonio

Portugal, apesar de assegurar liberdade entre as religiões, possui uma Concordata que privilegia, em várias dimensões da vida social, a religião católica, seguida pela maioria da população. A cédula de 20 Escudos de ouro, de 1964, ficou famosa justamente por portar a efígie do padroeiro de Lisboa, Santo Antônio, em seu anverso.

Protetor dos pobres, dos oprimidos, dos casamentos e das coisas perdidas, realizando vários milagres ainda em vida, Santo Antônio de Pádua é um dos santos mais populares da Igreja Católica. Nascido como Fernando de Bulhões entre 1191 e 1195, em Lisboa, Santo Antônio iniciou sua formação com os cônegos da Catedral de Lisboa. Contra a vontade de seu pai, entrou para o Mosteiro de São Vicente dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, onde morou por pouco mais de 2 anos, e tornou-se sacerdote aos 25 anos de idade. Santo Antônio chegou a lecionar Teologia nas Universidades de Toulouse e de Montpellier, na França, e atuou como Ministro Provincial na região da Romanha, atuando também em Pádua, na Itália. Após a sua morte, em 1232, vários milagres ocorreram, o que resultou em sua canonização, 11 meses depois, pelo Papa Gregório IX.

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No reverso da cédula de 20 Escudos de ouro, é possível ver a Igreja de Santo Antônio de Lisboa rodeada por ramos de lírios. A marca d’água, elemento de segurança da cédula, também representa a efígie de Santo Antônio, com ramos de lírios portando mosaicos que lembram vitrais de igreja. A atual Igreja de Santo Antônio, projeto do arquiteto Mateus Vicente de Oliveira, foi edificada entre 1767 e 1787 no lugar de uma antiga capela, que foi construída no local de nascimento do santo. A capela já havia funcionado como a Câmara de Lisboa, onde se realizavam eleições para cargos importantes, e sofreu danos em decorrência do terremoto ocorrido na cidade em 1755. Dela resta apenas a cripta simbolizando o local de nascimento do santo com entrada pela sacristia. A atual igreja é patrimônio da cidade e um dos locais mais visitados por fiéis de diversas religiões, principalmente por moças que desejam se casar. Em 1962 foi criado um museu – edifício anexo – dedicado à iconografia do santo.

Nossa Senhora, Menino Jesus e Igreja Santa Sophia (Ohrid, Macedônia século X-XI)

A igreja de Santa Sophia, localizada em Ohrid (ou Ocrida), na Macedônia, é um dos mais importantes monumentos do país. Ela foi construída durante o Primeiro Império Búlgaro, nos séculos X e XI, após a conversão oficial ao cristianismo. Originalmente um local de reunião para assembleias regulares de párocos das igrejas búlgaras ortodoxas, ela foi, posteriormente, convertida em uma mesquita durante o governo do Império Otomano. O interior da igreja foi preservado com afrescos dos séculos XI, XII e XIII, que representam algumas das mais significantes realizações em termos de pinturas bizantinas da época. Ela é representada no reverso da cédula de 1.000 Dinares, da Macedônia, de 1996.

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No anverso, a imagem de Madonna, a Maria, cuja representação original se encontra na Igreja de St. Vrachi-Mali, do início do século XIV, também localizada em Ohrid. Maria aparece segurando o menino Jesus, que possui uma auréola. Ao fundo, o anjo que irá levar a mensagem de Deus sobre o destino de Jesus. A obra retratada é uma representação bizantina, de arte em mosaico, com traços característicos da época.

Cúpula da Rocha, Jerusalém (cédula da Jordânia)

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A Jordânia – oficialmente Reino Haxemita da Jordânia – é um pequeno país do Oriente Médio localizado estrategicamente no ponto onde se encontram a Ásia, a África e a Europa. O país faz fronteira ao leste e ao sul com a Arábia Saudita, com o Iraque, a nordeste, com a Síria, ao norte, com Israel e Palestina, a oeste, e com o Mar Vermelho, ao extremo Sul. A população é composta majoritariamente por mulçumanos, sendo o islamismo sunita a religião predominante.

A cédula jordaniana de 1 Dinar, de 1959, apresenta em seu anverso a efígie de Al-Hussein Bin Talal (1935-1999), Rei da Jordânia entre 1952 e 1999, data de sua morte. O reverso da cédula apresenta a imagem da Cúpula da Rocha, um santuário mulçumano e uma das grandes obras da arquitetura islâmica. Situada em um local sagrado tanto para mulçumanos quanto para judeus e cristãos, em Monte do Templo, na Cidade Velha de Jerusalém, a Cúpula da Rocha apresenta um enorme domo dourado que pode ser visto de diversas partes da cidade.

Judeus e cristãos acreditam que o Monte do Templo havia sido anteriormente o Monte Moirá, local onde Deus criou Adão, o primeiro homem, e onde Abraão ofereceu seu filho Isaac em sacrifício a Deus (Gênesis 22: 1-14). O lugar havia abrigado ainda o Primeiro Templo Judeu, saqueado e incendiado pelos babilônios, que foi substituído por um segundo templo, construído em 516 a.C. Após a Primeira Guerra Romano-Judaica (66 d.C. – 73 d.C.), no entanto, o Segundo Templo foi saqueado e totalmente destruído por soldados romanos comandados pelo General Tito (39 d.C. – 81 d.C.), restando apenas o Muro das Lamentações.

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Após os mulçumanos tomarem o controle de Jerusalém, em 637 d.C., líderes islâmicos encomendaram a construção da Cúpula da Rocha, no local dos destroços do antigo Segundo Templo Judeu. A cúpula ganhou esse nome por guardar e proteger em seu interior a rocha que, segundo tradições mulçumanas, seria o local de aterrissagem de Maomé após uma viagem desde Meca nas asas do anjo Gabriel, sendo assim um dos locais mais sagrados para a religião islâmica. O templo foi declarado Patrimônio da Humanidade em 1981 pela UNESCO. Essa cédula foi retratada na coluna Dinheiro do Mundo, na matéria sobre obras arquitetônicas.

Templo de Borobudur (Ilha de Java, Indonésia)

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Borobudur é um famoso templo budista localizado no centro da ilha de Java, na Indónesia. Considerado um dos maiores monumentos budistas do mundo, e o mais visitado da Indonésia, foi construido nos séculos VIII e IX depois de Cristo, durante o reinado da dinastia Syailendra. Em 1991, foi inscrito na lista de Patrimônios Mundiais da UNESCO, junto com os templos vizinhos Mendut e Pawon.

O templo foi construído em três níveis: uma base piramidal com cinco terraços quadrados concêntricos, o tronco de um cone com três plataformas circulares e, no topo, uma abóbada central rodeada por plataformas circulares, nas quais se encontram 72 estufas a céu aberto, cada uma contendo uma estátua do Buda. A UNESCO ajudou a restaurar o monumento nos anos 1970. O templo dedicado a Buda foi projetado para ser um lugar de peregrinação. Atualmente ele sedia o festival Vesak, no qual os indonésios celebram o nascimento de Sidarta Gautama.

O templo de Borobudur é retratado no reverso da cédula de 10.000 rúpias indonésias, e pertence à série de 1992, que valorizava a fauna, a flora e os patrimônios culturais do país. No anverso, o retrato do primeiro Governador da Região Especial de Yogyakarta, o Hamengkubuwana IX. Ele também foi o nono Sultão de Yogyakarta, durante o governo de Suharto.

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Ruína da Antiga Sinagoga Kfar Bar’am (Israel)

As ruínas da antiga sinagoga de Kfar Bar’am se encontram em uma antiga vila judaica situada na parte norte de Israel, a aproximadamente 3 quilômetros da fronteira com o Líbano. A vila foi abandonada entre os séculos VII e XIII. Após um período de habitação por muçulmanos, no século XIX a vila já estava tomada por cristãos, incluindo os maronitas (tradicionais do Líbano) e os melquitas (católicos bizantinos que se mantêm fiéis aos imperadores bizantinos). Uma igreja maronita ainda é mantida e utilizada no local. A vila foi destruída no terremoto que ocorreu na Galileia em 1837.

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A sinagoga de Kfar Bar’am foi preservada até o segundo andar e restaurada. A entrada frontal tem três portas em direção a Jerusalém. Havia no local uma sinagoga menor, da qual não restam muitas ruínas. Uma parte das janelas desta sinagoga menor se encontra em exposição no Museu do Louvre, em Paris. As ruínas de Kfar Bar’am foram retratadas na cédula de 500 Prutah, de 1955. Não há informações sobre o reverso da cédula.

As imagens reais dos monumentos religiosos são de domínio público e reprodução livre. Não foi possível encontrar fotos de todos os monumentos aqui mencionados.

Fonte

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