Corte de produção da Vale bagunça setores da siderurgia aos transportes

Alta do preço do minério reduz rentabilidade das usinas siderúrgicas; gravidade das consequências depende se Vale conseguirá compensar as toneladas perdidas

O mercado global de minério de ferro está em turbulência depois que a Vale, a maior produtora do mundo, detalhou planos para reduzir a produção após o rompimento da barragem em Brumadinho, impulsionando as ações das concorrentes enquanto os investidores avaliavam o impacto da interrupção. Os preços subiram e os futuros avançaram mais de 9 por cento.

A Vale desativará algumas barragens de rejeitos, reduzindo a produção em 40 milhões de toneladas por ano, disse o presidente da empresa, Fábio Schvartsman, em entrevista coletiva. O impacto será parcialmente compensado pelo aumento da produção em outros sistemas, informou a Vale. A empresa havia planejado produzir 400 milhões de toneladas neste ano.

A gravidade das consequências dependerá da capacidade da Vale, e também dos esforços das outras mineradoras, de compensar as toneladas que serão perdidas. A queda acentuada da oferta, se concretizada, pressionará o mercado transoceânico global, ajudando a Rio Tinto, a BHP e a Anglo American e ao mesmo tempo elevando os custos para as siderúrgicas em todo o mundo.

Uma das barragens da Vale se rompeu na sexta-feira passada, castigando o preço das ações da empresa e gerando especulações de que, embora a operação afetada fosse pequena, as repercussões afetariam uma parcela maior da produção.

“A Vale certamente tem a capacidade de substituir 40 milhões de toneladas de produção e, de fato, inicialmente teria 50 milhões de toneladas de produção flexível”, disse Vivek Dhar, analista do Commonwealth Bank of Australia. “Mas a questão fundamental é a rapidez com que conseguirão compensar essa produção tendo em mente as pressões sociais e políticas e o fato de as investigações ainda estarem em andamento.”

Na Singapore Exchange, os futuros de referência chegaram a subir 9,6 por cento, para US$ 86,20 a tonelada, maior patamar desde março de 2017. Os futuros em Dalian fecharam em alta de 4,7 por cento. O minério de referência para entrega imediata saltou 4,6 por cento nesta quarta-feira, para US$ 83,95 a tonelada, segundo o Mysteel.com. O minério de alta qualidade subiu para US$ 100,30 a tonelada, maior nível desde setembro de 2017.

As mineradoras australianas avançaram. A Rio Tinto fechou em alta de 4,5 por cento, a 87,30 dólares australianos, maior nível desde 2011, a BHP subiu 2,6 por cento e a Fortescue Metals Group, 7,8 por cento.

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