Dólar tem a maior queda em quase dois anos em dia de maior otimismo com COVID-19

Última semana foi a pior em 11 anos para a moeda brasileira em relação ao dólar (14.nov.2014)

O dólar sofreu a mais forte queda em quase dois anos nesta terça-feira (28), com o real na dianteira dos ganhos nos mercados globais de câmbio, em um dia mais positivo para moedas de risco e com operadores realizando lucros após os recentes recordes do dólar. No fim da sessão, a moeda norte-americana recuou 2,59%, a R$ 5,5172.

Em queda desde o começo da manhã, a cotação intensificou as perdas no começo da tarde. “Os investidores ainda reagem positivamente à perspectiva de relaxamento do distanciamento social em vários países da Europa”, disse o Bradesco em boletim diário, citando também expectativa em relação às reuniões de política monetária do Federal Reserve e do Banco Central Europeu desta semana.

Após semanas de quase estagnação na atividade dos negócios em meio a medidas de distanciamento social, países como Itália e Espanha se preparam para relaxar as quarentenas e permitir que lojas, empresas e fábricas voltem a abrir suas portas. Nos Estados Unidos, alguns Estados seguem os mesmos passos em direção a uma reabertura da economia.

Cenário político

No cenário doméstico, uma combinação de fatores pesou contra a moeda dos EUA, mas analistas destacaram a percepção de que, com a saída de Sergio Moro do governo, o presidente Jair Bolsonaro poderia se sentir mais “dependente” do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Após o pedido de demissão de  Moro do cargo de Ministro da Justiça e boatos sobre a saída de Paulo Guedes da Economia, o presidente Jair Bolsonaro alinhou o discurso do governo na segunda-feira e deixou claro que Guedes continua com a palavra final nos gastos federais.

“Dentre todos os problemas criados pela demissão do ex-ministro Sérgio Moro, o mais claro deles estaria a perspectiva de manutenção de Paulo Guedes”, comentou em nota a Infinity Asset. “Agora, com o discurso de Guedes ontem junto ao presidente, reiterando o total controle da economia ao ministro (…), Guedes retoma sua posição e alivia a tensão do mercado.”

No exterior, o otimismo diante desse cenário impulsionou o apetite por ativos arriscados, como rand sul-africano, peso mexicano, e dólar australiano, e o real acompanhou esse movimento de pressão sobre o dólar.

“Este é um momento de suma importância para o alívio das tensões políticas, pois além dos países estarem próximos ao pico das reações econômicas negativas da crise viral, uma parte significativa começa a sinalizar a retomada das atividades”, acrescentou a Infinity Asset.

No somatório de sexta e segunda-feira, o BC colocou US$ 5,275 bilhões no mercado em dinheiro “novo” na forma de swaps cambiais e moeda spot. O BC não realizou leilões de câmbio nesta sessão.

*Com informações da Reuters

Fonte.

Foto: Gary Cameron/Reuters.

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