Os bancos centrais estão prontos para uma possível piora da economia?

“Resta pouco na caixinha de remédios para restabelecer a saúde do paciente ou para cuidar dele em caso de recaída”, diz economista-chefe do BIS

A economia global parece instável e o economista-chefe do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) diz que os bancos centrais podem ficar impotentes se tudo der errado.

Claudio Borio, crítico de longa data da flexibilização da política monetária, aproveitou a última Análise Trimestral do BIS para destacar novamente que os bancos centrais ficaram sobrecarregados depois da crise financeira global.

Ele disse que efeitos colaterais são inevitáveis, inclusive turbulências nos mercados, como a observada nos mercados emergentes em resposta ao ajuste feito pelo Federal Reserve e à valorização do dólar.

Dado o esgotamento de seu poder de fogo, isso também significa que os responsáveis pelas políticas monetárias não estão preparados para a próxima recessão.

“Como as taxas de juros continuam excepcionalmente baixas e os balanços dos bancos centrais continuam inchados como nunca, resta pouco na caixinha de remédios para restabelecer a saúde do paciente ou para cuidar dele em caso de recaída. Além disso, a reação política e social contra a globalização e o multilateralismo aumenta essa febre.”

Na semana passada, a OCDE alertou que o crescimento global se estabilizou por causa das tensões comerciais e da volatilidade dos mercados emergentes, embora tenha afirmado que a recuperação continuará.

A visão de Borio é que, independentemente do que acontecer, o caminho não será tranquilo, e este é o preço de anos de estímulo excessivo. Continuando com sua metáfora de saúde, ele disse que as recentes mudanças no mercado “são semelhantes aos sintomas de abstinência de um paciente”.

Os problemas do mercado emergente contrastam fortemente com a evolução das economias avançadas, já que os principais índices de referência das ações dos EUA atingiram novos picos nesta semana. Isso poderia ser outro motivo de preocupação.

“Os mercados nas economias avançadas ainda estão sobrecarregados e as condições financeiras continuam fáceis demais”, disse Borio. “Acima de tudo, tem muita dívida por aí… Os responsáveis pelas políticas e os participantes do mercado precisam se preparar para uma convalescença longa e agitada.”

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